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sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

As Luzes de Chanucá

Luzes
Aproximadamente há 2.100 anos, a Terra de Israel estava ocupada pelo império sírio-grego, governado por Antioco. Homem do mal, ele emitiu uma série de decretos com o propósito de forçar o Povo Judeu a abandonar o judaísmo e a adotar a ideologia e os rituais helenistas. Dentre seus esforços para extirpar o judaísmo, ele declarou ilegal o estudo da Torá e o cumprimento de vários de seus principais mandamentos. Ademais, os sírio-gregos profanaram o Tempo Sagrado de Jerusalém com seus ídolos.

Em resposta à opressão e aos decretos nefastos de Antioco, e percebendo que o futuro do judaísmo estava em jogo, um número pequeno de judeus, os Macabeus, em gritante inferioridade numérica, ergueram contra as forças de ocupação sírio-gregas na Terra de Israel. Ainda que fossem minoria – e de terem o apoio de apenas 10% da população judaica, que já estava se helenizando – os Macabeus derrotaram o poderoso exército sírio-grego, expulsando-os de nossa terra.

Quando reconquistaram o Templo Sagrado, em 25 do mês hebraico de Kislev, foram acender a Menorá do Templo – o candelabro de sete braços –, mas se depararam com o azeite de oliva ritualmente puro propositalmente contaminado pelos sírio-gregos. Encontraram, no entanto, um único frasco que havia escapado aos invasores. Continha apenas o azeite suficiente para acender a Menorá durante um único dia – e levaria oito dias para produzir azeite ritualmente puro.

Os Macabeus acenderam a Menorá com aquele pouquinho que, milagrosamente, durou oito dias – o tempo suficiente para a produção de novo azeite ritualmente puro. Para divulgar e celebrar esses milagres – o da vitória e o do azeite – nossos Sábios estabeleceram a festividade de oito dias de Chanucá.

O principal mandamento de Chanucá é o acendimento da Chanuquiá – uma Menorá de oito braços. Este ano, começamos a acendê-la no sábado à noite, após o término do Shabat, na noite de 24 de dezembro de 2016.

A Chanuquiá


Os elementos básicos de uma Chanuquiá são oito suportes para azeite ou velas. Adicionalmente, deve haver outro suporte para o Shamash – a vela “auxiliar”. Muitos têm o costume de usar velas de cera de abelha para o Shamash. Este fica um pouco acima ou abaixo do que as demais velas ou suportes para o azeite: é importante distingui-lo dos demais, senão poderia parecer que a Chanuquiá tivesse nove braços.

Uma vez acesas as velas de Chanucá, não se deve apagar o Shamash. São duas as razões para tal. Primeiro, o Shamash deve estar pronto para servir, fazendo jus a seu nome: no caso de uma vela ou pavio se apagar, pode ser aceso novamente com o “auxiliar”. Outra razão para deixarmos o Shamash aceso é a proibição de usar as luzes de Chanucá para qualquer outro propósito além de cumprir o mandamento de acender a Chanuquiá. Assim sendo, se alguém necessita de uma fonte de luz, por alguma razão, pode usar o Shamash, mas não uma das luzes da Chanuquiá.

Estas podem ser alimentadas por azeite ou pelas chamas de velas. Mas como o milagre de Chanucá envolveu o azeite de oliva – o suprimento de azeite para um dia que durou oito dias – é preferível acender a Chanuquiá com azeite em vez de velas. Deve-se dar preferência ao azeite de oliva como combustível e ao pavio de algodão porque estes produzem uma chama bem perfeita.
É importante notar que não se devem usar Chanuquiot elétricas. Elas podem ser colocadas em locais públicos para divulgar os milagres de Chanucá – mas não para cumprir o mandamento. Para isso, devemos acender as luzes da Chanuquiá com chamas reais, produzidas pela cera ou o azeite – como as chamas da Menorá do Templo Sagrado de Jerusalém.

O acender das luzes de Chanucá é um mandamento que cabe tanto a homens quanto a mulheres.
Algumas comunidades têm o costume de que o chefe da casa acenda a Chanuquiá enquanto todos os demais ouvem com atenção as bênçãos e respondem “Amén”. Em outras comunidades, todos os integrantes da casa, inclusive as crianças, acendem sua própria Chanuquiá. Qualquer que seja o costume, é importante que todos os judeus, de todas as idades, estejam presentes e envolvidos quando o mandamento de acender as luzes de Chanucá é cumprido.

Há, também, diferentes tradições sobre o local do lar em que se coloca a Chanuquiá. Alguns a colocam em uma entrada central, em uma cadeira ou uma mesa pequena perto do vão da porta onde está a Mezuzá. Dessa forma, quando as pessoas passam pelo vão da porta, estão rodeados por dois mandamentos – a Mezuzá de um lado e a Chanuquiá de outro. Outra opção é colocá-la no peitoral de uma janela de frente para a rua. Essa opção é preferível se as luzes de Chanucá puderem ser vistas pelo público passante.
As luzes de Chanucá são acesas noite após noite nesta festividade de oito dias. Acendemos uma luz na primeira noite, duas na segunda e assim por diante. Na oitava e última noite, acendemos todas as oito luzes.

Há diferentes costumes também acerca do horário exato para o acendimento. A maioria das comunidades o faz ao cair da noite – cerca de meia hora após o pôr-do-sol. Outras o fazem logo após o pôr-do-sol. Em qualquer dos casos, as luzes de Chanucá devem arder durante um mínimo de 30 minutos após o cair da noite. Qualquer que seja o costume seguido, na noite de 6a feira, todas as comunidades acendem as velas de Chanucá antes do sol se pôr e, no sábado à noite, após o cair da noite, pois é proibido acender fogo durante o Shabat. Portanto, ao entardecer da 6a feira acendemos a Chanuquiá logo antes de acender as velas do Shabat. Estas últimas tradicionalmente são acesas 18 minutos antes do sol se pôr.

Na 6ª feira, devemos usar azeite suficiente ou velas suficientemente grandes para que as luzes de Chanucá fiquem acesas durante meia hora após o cair da noite – cerca de 1 ½ horas após a entrada do Shabat. Uma vez iniciado o Shabat, não podemos reacender chamas apagadas nem mover de lugar a Chanuquiá; tampouco preparar as velas para serem acesas sábado à noite. Isso somente poderá ser feito ao término do Shabat. Sábado à noite, as luzes de Chanucá são acesas após a realização da Havdalá.

Deve-se acender a Chanuquiá tão logo seja permitido, porque maior mérito tem aquele que se apressa em cumprir os mandamentos Divinos. Portanto, somente se deve postergar o acendimento das luzes enquanto se espera pela chegada dos familiares que desejam estar presentes nesse momento tão importante. Se alguém perdeu o horário adequado do acendimento da Chanuquiá – por exemplo, por ter chegado muito tarde em casa – essa pessoa pode cumprir o mandamento desde que ainda haja gente na rua ou se outro membro da família estiver acordado para acompanhá-lo. Caso as ruas estiverem vazias e ninguém estiver acordado, ele poderá acender as velas, mas sem dizer as bênçãos que são recitadas antes de cumprir esse mandamento.

Após acender a Chanuquiá, é costume cantar canções tradicionais da festividade, como HaNerot Halalu e Maoz Tsur, devendo-se ficar em volta do candelabro durante meia hora, pelo menos. Uma das razões para tal é para assegurar que as luzes ardam, no mínimo, pelo tempo de meia hora. Às 6as feiras, quando as pessoas se preparam para ir à sinagoga ou para receber o Shabat, não é necessário sentar-se 30 minutos ao redor das luzes da Chanuquiá. Há uma tradição de que as mulheres não devem realizar tarefas domésticas enquanto a Chanuquiá estiver acesa. Desta forma, estão honrando as corajosas mulheres judias que ajudaram a assegurar a vitória militar dos Macabeus.

Em Chanucá, é tradição comer alimentos ricos em azeite, como os deliciosos sufganiot (sonhos) e os latkes (panquecas de batata fritas), celebrando também dessa forma o milagre do azeite.
Vimos um resumo das leis de Chanucá. Como dissemos, diferentes comunidades guardam diferentes tradições. Para maiores informações ou em caso de dúvidas, deve-se consultar com um rabino ou uma autoridade competente em Halachá, a Lei Judaica.

Celebrando o milagre


O mandamento fundamental de Chanucá é o acendimento das velas, ou, o que é ainda melhor, do azeite de oliva. Esse mandamento recorda os dois milagres que celebramos durante essa festividade. O primeiro foi o triunfo dos Macabeus sobre os sírio-gregos – superpotência militar à época, que ocupava a Terra de Israel. A revolta dos Macabeus foi uma resposta às atrocidades cometidas contra o Povo Judeu pelo exército sírio-grego e por sua campanha para coagir nosso povo a renunciar ao judaísmo e a se assimilar e abraçar as crenças helenísticas, seus ideais e sua cultura.

O segundo milagre foi o do azeite. O acendimento da Menorá com azeite de oliva ritualmente puro era um componente importante do serviço diário no Beit HaMikdash – o Templo Sagrado de Jerusalém. Após libertá-lo das mãos do exército invasor, os Macabeus encontraram um único frasco de óleo ritualmente puro, que escapara à profanação proposital pelos sírio-gregos. O frasco continha o azeite suficiente para acender a Menorá durante um único dia. Seriam necessários oito dias para produzir azeite ritualmente puro. Os judeus foram em frente e acenderam a Menorá com o que tinham. Mas uma ocorrência sobrenatural mudou o jogo: o azeite milagrosamente durou o tempo necessário para a produção de novo azeite ritualmente puro.

O fenômeno sobrenatural do suprimento de um dia ter queimado durante oito dias não foi apenas um milagre, mas também um sinal Divino de que os Macabeus deviam sua vitória militar à Providência Divina. Haviam lutado brava e valentemente, mas não fosse pela Mão Divina, eles não teriam triunfado. Eram um grupo pequeno de homens que se levantaram contra os gigantes militares da época. Tivesse tudo corrido de acordo com as leis da natureza, teria sido uma derrota fragorosa: as possibilidades de terem vencido eram tão remotas quanto o suprimento de um dia de azeite ter durado oito dias – praticamente impossível, não fosse a Ajuda Divina.

A festa de Chanucá, de oito dias, celebra milagres porque tudo nessa festividade é milagroso: a vitória militar, o fato de que os sírio-gregos tenham, de uma forma ou de outra, deixado passar um recipiente de azeite ritualmente puro e o fenômeno sobrenatural de que essa quantidade de azeite tivesse ardido oito dias – exatamente o número de dias necessários para a produção de novo azeite ritualmente puro.

Entre todas as festividades de nosso calendário, talvez Chanucá seja a mais conhecida e apreciada pelos não judeus. A Chanuquiá em locais públicos é acesa por muitos governantes e líderes políticos, inclusive aqui no Brasil. É acesa na Casa Branca e até no Kremlin.

O motivo para isso é que a mensagem de Chanucá é atemporal e universal – aplica-se a todos os seres humanos, independentemente de religião, nacionalidade e etnia. Os temas da festa ressoam no coração de todas as pessoas boas e decentes e a Festa das Luzes nos ensina que os milagres acontecem. Chanucá nos faz recordar, ano após ano, que, cedo ou tarde, a luz impera sobre a escuridão e, no fim, a bondade acaba triunfando sobre a maldade.

Que este mês de vitória conta a helenização greco-romana seja triunfal e as Luzes da Presença Divina esteja no lar de todos os adoradores sinceros do Eterno, Bendito Seja!

Fonte: morasha.com.br

domingo, 14 de agosto de 2016

O dia de Tish'á Beav



A menção do mês de Av nos faz automaticamente ligar com o trágico acontecimento que nele ocorreu - o dia de Tish'á Beav, onde, entre outras desgraças, os dois Templos Sagrados foram destruídos. Após o difícil período das três semanas, em que mantemos costumes de luto, começa o período de consolo, em que D'us volta-se a nós, após termos retornado a Ele.

 No dia quinze de Av - Tu Beav, o contraste torna-se mais aparente. Este é um dia de alegria, em que vários acontecimentos positivos aconteceram ao longo da história. Todos eles, marcam o término de algum fato negativo que estava ocorrendo em nosso povo. A demonstração de que D'us não mais estava irado conosco. Já pagamos pelos nossos atos. Nosso Pai nos espera agora de braços abertos. Está na hora de voltar... Uma pesquisa no Código da Lei Judaica não revela observâncias ou costumes para esta data, exceto pela instrução que, a partir de quinze de Av, deve-se aumentar o estudo de Torá, pois nesta época do ano as noites começam a alongar-se, e "a noite foi criada para o estudo." E o Talmud nos diz que, muitos anos atrás, as "filhas de Jerusalém iam dançar nos vinhedos" em quinze de Av, e "quem não tivesse uma esposa podia ir até lá" para encontrar uma noiva. E este é o dia que o Talmud considera a maior festa do ano, bem perto de Yom Kipur!

 Vamos explicar aqui um pouco sobre cada fato que ocorreu nesta data. Esperamos que, se D'us Quiser, neste ano seja somada a lista a união total entre nosso povo e Hashem, com a vida de Mashiach, que tanto ansiamos e necessitamos. 

1 - O dia em que acabaram-se os mortos do deserto Após o pecado dos espiões, em que o povo, guiado por seus líderes, não confiou nas palavras de D'us e não quis entrar na Terra de Israel, esta geração foi condenada a uma jornada de quarenta anos no deserto, até que todos acabassem falecendo, e então a geração mais nova ingressaria na Terra. Como o pecado ocorreu em Tish'á Beav, as mortes também ocorriam nesta data. Neste dia, todas as pessoas cavavam covas para si mesmas, e dormiam dentro delas. No dia seguinte, os que estavam vivos levantavam-se, e eram sempre quinze mil o número daqueles que pereciam. No último Tish'á Beav antes da entrada na Terra de Israel, todos os que haviam deitado dentro de suas covas, levantaram-se no dia seguinte. A princípio, pensaram que tivesse havido algum engano na contagem dos dias, e por este motivo, continuaram a dormir nas covas nos dias que se seguiram e continuaram vivos, até que no dia 15 viram a lua cheia, e tiveram certeza que o dia de Tish'á Beav havia passado sem que ninguém falecesse.

 2 - Casamentos entre as tribos e entre o povo e a tribo de Binyamin foram permitidos Desde a entrada na Terra de Israel, até o acontecimento de "Pileguesh Baguiva" (em que a tribo de Binyamin foi penalizada por seu comportamento incorreto), havia dois tipos de casamentos que foram proibidos: a - Casamentos entre as tribos: esta proibição foi transmitida por Moshê. Uma filha que tivesse herdado um terreno de seu pai, não poderia casar-se com um homem pertencente a outra tribo, pois desta forma, o terreno passaria a pertencer também a seu marido, prejudicando a tribo da qual ela provinha que perderia o direito sobre as terras. (Os primeiros quatorze anos na Terra de Israel foram dedicados à conquista e distribuição das terras entre as tribos.) b - Casamentos entre qualquer tribo e a tribo de Binyamin: Após o acontecimento de Pileguesh Baguiva, o povo fez a seguinte promessa: "Nenhum de nós dará sua filha a Binyamin por esposa." Após anos, os Sábios analisaram estas proibições e, sob inspiração Divina, chegaram a conclusão que os casamentos eram proibidos apenas por um certo período. Os casamentos entre as tribos foram proibidos por quatorze anos, tempo marcado pela ausência de uma demarcação fixa de terra que seria mais tarde destinada a cada tribo, o que naquela época impossibilitava as transferências de terra. Passado este período, a transferência das terras tornou-se viável. Os Sábios também provaram, que a promessa de não casar-se com a tribo de Binyamin era apenas para aquela geração, pois disseram: "Nenhum de nós" - e não "Nenhum de nosso filhos". As duas permissões foram dadas no mesmo dia: em Tu Beav. Por isso, este dia foi marcado por grande alegria e união entre nosso povo.

3 - O dia em que foi permitida a subida à Jerusalém

O perverso rei de Israel, Yerovam ben Nevat, havia retirado o trono real de Jerusalém, que D'us havia indicado como o centro do povo. Este postou dois bezerros de ouro, um em Dan e um em Bet El, para que o povo os idolatrasse. Contudo, muitas pessoas do povo continuaram subindo para Jerusalém, que sempre fora o centro espiritual do povo. Para impedi-los de ir a Jerusalém, Yerovam espalhou várias barreiras e guardas nos caminhos que as levavam até lá.
Estes obstáculos existiram até os últimos dias do reinado de Israel, quando o rei Hoshea ben Ela os anulou, e declarou: "Todo aquele que deseja subir a Jerusalém, que suba". Isto ocorreu no dia de Tu Beav, e foi motivo para grande alegria.
Apesar deste grande feito, o rei acabou sendo castigado. Antes dele, o povo também era idólatra, porém, a culpa recaiu sobre o rei, que não permitia que eles fossem a Jerusalém a procura de sua verdadeira espiritualidade. Hoshea permitiu que subissem a Jerusalém, dizendo "quem quiser - que vá". Porém, sua obrigação como rei era encorajar o povo a fazê-lo, coisa que nem ele mesmo fazia, por também não andar no bom caminho. Enquanto a culpa pertence ao indivíduo, D'us não castiga o povo. Porém, quando Hoshea anunciou a permissão, todo o povo foi culpado por não ter subido à Jerusalém, e por este motivo, acabaram sendo exilados.

4 - O dia em que terminavam de trazer lenha ao Templo

Após a reconstrução do Segundo Templo Sagrado, nos dias de Ezra e Nechemia, era grande a dificuldade de encontrar árvores para utilização da madeira na queima dos sacrifícios no altar, pois a terra encontrava-se devastada. Por isso, quando alguém doava lenha ao Templo, seu ato era meritório e muito festejado. Afinal, se não houvesse lenha não haveria possibilidade de oferecer sacrifícios, e o ofício do Templo teria que ser cancelado. Tão significativa era a importância deste ato, que os inimigos, desejosos de arruinar os serviços do Templo Sagrado, impediam as pessoas de chegar com lenha a Jerusalém.

O última dia do ano em que cortava-se lenha para o Templo era o dia quinze de Av. Após esta data, o calor do sol já não era tão intenso, e as madeiras, que não estavam tão secas, corriam o risco de serem infestadas por insetos, invalidando sua utilização no altar. Portanto, o último dia de verão, em que a mitsvá das lenhas era terminada, era festejado com grande alegria.

5 - Os mortos de Betar foram enterrados

Adriano, o perverso imperador romano, havia feito um genocídio na cidade de Betar, e para ter maior prazer com a derrota dos valentes sábios judeus, deixou seus corpos abandonados, jogados em um vinhedo. Após um certo tempo, ascendeu um novo rei que permitiu que estes corpos fossem finalmente enterrados. Todo o povo uniu-se para cuidar do enterro de seu irmãos. Isto ocorreu no dia de Tu Beav.

Nesta data, os Sábios acrescentaram a bênção de Hatov Vehametiv - o "Bom que faz o bem", no Bircat Hamazon. E explicaram: "O Bom" - pois os corpos não apodreceram enquanto não haviam sido enterrados. E "que faz o bem" - pois fez com que acabassem sendo enterrados.
Assim como nós abençoamos D'us pelos milagres que faz, devemos abençoa-lo por acontecimentos que não nos parecem tão positivos, e acreditar que tudo que vem Dele é para o bem.

Fonte: PT.CHABAD.ORG

segunda-feira, 7 de março de 2016

BÊNÇÃOS ANTERIORES AO ALIMENTO

 Antes de compartilhar qualquer alimento, é dita a Berachá Rishoná (bênção preliminar).

Há seis diferentes bênçãos, cada qual começando com as mesmas palavras: "Baruch Ata, A-donai, E-lo-hê-nu Melech Haolam..." (Bendito és Tu, o Eterno, nosso D-us, Rei do Universo...") e concluindo com as palavras relacionadas ao tipo de alimento que vai ser ingerido.

 Segue-se uma transliteração de cada bênção em hebraico, com exemplos dos alimentos que a requerem:

 1) - BARUCH ATÁ, A-DO-NAI, E-LOHÊ-NU MELECH HAOLAM, HAMOTSI LECHÊM MIN HAARÊTS. (Bendito és Tu, ó Senhor nosso D-us, Rei do Universo, que extrai pão da terra.)
Exemplos: pão, beiguels, Chalá, Matsá, pita e pães feitos de um dos seguintes cinco grãos: trigo, cevada, centeio, aveia ou espelta. Nota: muitos dos alimentos acima, especialmente Beiguels, pitas e pães doces, podem requerer uma bênção de Mezonot, dependendo dos ingredientes.

 2) - BARUCH ATÁ, A-DO-NAI, E-LOHÊ-NU MELECH HAOLAM, BORÊ MINE MEZONOT. (Bendito és Tu, ó Senhor nosso D-us Rei do Universo que cria varias espécieis de sustentos)
Exemplos: bolos, cereais, biscoitos, bolinhos, roscas e massas se feitos de um ou mais dos cinco grãos listados na primeira bênção.

 3) - BARUCH ATA, A-DO-NAI, E-LOHÊ-NU MELECH HAOLAM, BORÊ PERI HAGÁFEN. (Bendito és Tu, ó Senhor nosso D-us, Rei do Universo, que cria o fruto da vinha.)
Exemplos: vinho e suco de uva.

 4) - BARUCH ATÁ, A-DO-NAI, E-LOHÊ-NU MELECH HAOLAM, BORÊ PERI HAÊTS. (Bendito és Tu, ó Senhor nosso D-us, Rei do Universo, que cria o fruto da árvore.)
Exemplos: Todas as frutas de árvores permanentes, tais como maçãs, laranjas, pêssegos, etc., mesmo se essas frutas forem secas; também uvas, uva-passas e todas as nozes, com exceção de amendoim.

 5) - BARUCH ATÁ, A-DO-NAI, E-LOHÊ-NU MELECH HAOLAM, BORÊ PERI HAADAMÁ. (Bendito és Tu, ó Senhor nosso D-us, Rei do Universo, que cria o fruto da terra.)
Exemplos: Todos os leguminosos que crescem na terra, incluindo amendoim e algumas frutas, tais como banana, melão e abacaxi.

 6) - BARUCH ATA, A-DO-NAI, E-LOHÊ-NU MELECH HAOLAM, SHEHACÔL NIHYÁ BIDVARÔ. (Bendito és Tu, ó Senhor nosso D-us, Rei do Universo, que tudo vem a existir por Seu verbo.)
Exemplos: doces, laticínios, ovos, peixe, líquidos, carne, cogumelos e tudo o que não estiver incluído nas cinco bênçãos anteriores. Nota: as bênçãos acima se aplicam a alimentos em sua forma básica; entretanto, elas podem variar quando esta forma for modificada através de processamento ou quando os alimentos são combinados.

Baruch Hashem, Ha Kadosh Baruch Hu!

domingo, 13 de setembro de 2015

Shana Tova uMetuka - Bênçãos para um ano bom e doce Novo!



Nossos sábios nos ensinam que Rosh Hashana marca o sexto dia da criação, o dia em que adam harishon - o primeiro homem - foi criado. O lugar especial não era outro senão o que viria a ser conhecido como o Monte Moriá. Aprendemos também que foi neste mesmo lugar que Adam primeiro pecado e se arrependeu. 

Aqui, ele construiu um altar e apresentou uma oferta. Cerca de vinte gerações mais tarde, foi aqui que o anjo suspendeu a mão de Avraham na ligação de Yitzchak. Foi aqui que o carneiro apareceu, proporcionando Avraham com os meios através dos quais para expressar seu amor por D'us. 

Rosh Hashaná é o dia que nós reconhecemos a soberania de D'us o Rei, Criador do universo e Juiz de toda a humanidade. O dia em que "todos os seres passar diante dele como concurso ovelhas", a mensagem de Rosh Hashana é verdadeiramente universal: cabe toda a humanidade a aceitar a nós mesmos de D'us soberania, e ter em conta de nossos pensamentos e ações, tendo em vista este reconhecimento incrível. 

As trombetas e shofarot soaram antes da entrada para o Kodesh - Santuário - do Templo Sagrado em Rosh Hashana são lembretes de D'us domínio. O som do shofar - igualmente soprado nos degraus do Santuário, emana da própria respiração, a respiração que vem de dentro de nós, onde foi colocada, pela primeira vez, por D'us, em Adão, no sexto dia.

Shaná Tová 5776 e que o Beit Hamikdash seja reconstruído o quanto antes!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Nova Pagina de Estudos - Torah em Audio

Ouça a Torah, Neviim e Ketuvim (Tanakh) em hebraico original e sem versionamentos distorcidos por Roma e seus filhos:
 Torah em Audio




domingo, 11 de janeiro de 2015

MÚLTIPLOS "EU"? O QUE AFINAL VOCÊ É?

Segundo um Doutor, pesquisador, cientista, psiquiatra, psicoterapeuta e escritor sobre os comportamentos humanos da mente, correto uso da inteligência e memória, afirma com todas as palavras que NAO EXISTE PESSOAS COM MULTIPLAS PERSONALIDADES, mas, devemos ter em mente que podemos ter várias posturas do EU na mesma personalidade. O que classificam como múltiplas personalidades, são na verdade núcleos distintos de habitação ou plataformas de memória onde o autofluxo e o EU se ancoram. (Embora não concorde com 100% do que ele ensina, mas, essa analise que o Doutor faz é muito interessante)
O Doutor classifica os diferentes tipos de EU em seis tipos distintos que a pessoa alterna conforme o seu estado ou circunstância, cultura ou realidade de vida.
Eis os seis tipos que irei listar conforme estudados e cientificamente testados pelo Doutor:
1º - EU GERENTE => São as pessoas cujo Eu aprendeu a gerenciar seus pensamentos, a exercer a arte
de se autoquestionar. Elas libertam seu imaginário, apreciam os movimentos do
autofluxo, são criativas, motivadas, inspiradas e também capazes de criticar suas ideias, verdades, crenças.
Sabem que quem vence sem dificuldades triunfa sem grandeza. Portanto, rompem o cárcere da mesmice, andam por espaços inexplorados, são curiosas, exploram o que está além dos seus olhos, mas, ao mesmo tempo, seu EU tem maturidade para reciclar e qualificar seus pensamentos e suas imagens mentais.
Têm consciência de que o fenômeno do autofluxo é uma fonte de inspiração, entretenimento e aventura, porém não permitem ser dominadas por ele. O EU gerente faz uma higiene mental diária: duvida dos pensamentos perturbadores, critica as falsas crenças e determina ou decide estrategicamente aonde quer chegar; portanto, usa a técnica do duvidar, criticar e determinar (DCD).
O EU gerente é livre, leve, solto, faz do caos uma oportunidade criativa, tem resiliência para usar a dor a fim de se construir, reconhece erros, pede desculpas e encanta as pessoas, pois não tem a necessidade neurótica de ser perfeito. Por isso, é capaz de falar de suas lágrimas para que seus filhos e alunos aprendam a chorar as deles. Porque um dia as chorarão.
2º - EU VIAJANTE OU DESCONECTADO => São as pessoas que embarcam seu EU em todas as viagens promovidas pelo autofluxo, sem promover nenhum gerenciamento. O céu e o inferno emocional
estão muito próximos de alguém que tem um EU desconectado. Tais pessoas não perderam os parâmetros da realidade, não estão em surto psicótico, mas, por serem viajantes na trajetória da própria mente, alternam com muita facilidade momentos felizes e de tensão.
Como o EU viajante não tem gestão mínima da sua mente, dependendo do lugar da memória em que se ancora o autofluxo, as pessoas com esse tipo de EU assistirão como espectadores passivos aos pensamentos, ideias, imagens mentais e emoções construídos por esse fenômeno inconsciente. Um EU desconectado não assume a direção da própria história. Por onde o autofluxo caminha, o EU ingenuamente o segue.
As pessoas que têm um EU desconectado ou viajante vivem imersos em seu psiquismo, pensando, imaginando, fantasiando. São tão distraídos e desconcentrados que você fala com eles por minutos, mas eles não prestam atenção nas suas palavras.
Não poucas pessoas inteligentes, incluindo muitos gênios, têm um EU viajante.
Mas, por serem desconectadas da realidade, infelizmente não usam adequadamente seu potencial intelectual.
São indivíduos sonhadores, mas sem disciplina para transformar seus sonhos em realidade. São ótimos para discursar, mas não são produtivos. Amam os aplausos, mas não gostam de afinar o piano, carregá-lo e tocá-lo.
Há muitas pessoas que têm um EU desconectado e são afetivas, generosas, calmas, mas em não poucos casos há um egoísmo e um egocentrismo na base de sua desconexão. Pouco se preocupam com a dor do outro e, por isso, têm poucas atitudes práticas para aliviá-la. São ótimas para falar, mas tardias em agir.
Aprender a arte do altruísmo e da observação exige um treinamento que um EU desconectado deve fazer diariamente.
Alguns alunos têm uma SPA (Síndrome do Pensamento Acelerado) tão intensa e são tão desconectados em sala de aula que lhes peço para realizar a seguinte técnica para se concentrar e melhorar o desempenho intelectual: elaborar, em sua mente, a síntese da exposição dos professores durante a fala destes e escrevê-la rapidamente.
3º - EU ENGESSADO => São as pessoas que não libertam o fenômeno do autofluxo e, consequentemente, contraem seu imaginário e sua criatividade. Seu EU é rígido, fechado, inflexível.
Elas têm grande potencial criativo, mas são seus próprios punidores, não sonham, não se inspiram, têm pavor de ser abertas e pensar em outras possibilidades.
Vivem entediadas e entediando seus íntimos.
Um EU engessado defende radicalmente seu partido político, suas convicções ou sua religião e, portanto, não abre espaço para respeitar o diferente. Quem é radical não está convencido do que crê, nem da sua religião, pois se estivesse não precisaria usar pressão para se expressar. Por outro lado, também quem defende radicalmente seu ateísmo é emocionalmente imaturo, pois precisa de coação para dar relevância a suas convicções.
Um EU engessado é mentalmente robotizado. Levanta sempre do mesmo modo, faz as mesmas reclamações, dá as mesmas respostas, tem as mesmas atitudes diante dos mesmos problemas. É uma pessoa encarcerada pela rotina. Tem, às vezes, motivos de sobra para agradecer a vida, o trabalho, os filhos, mas chafurda na lama da reclamação. Você conhece alguém assim?
Tais pessoas podem até ter sucesso “por fora”, mas são miseráveis por dentro. Sua maior fonte de entretenimento está comprometida, empobrecida. Seu EU tem apreço em se ancorar em janelas killer que fomentam pessimismo, insatisfação, irritabilidade. Treinar a capacidade de mudança quando necessário, pensar em outras possibilidades, autocrítica e reconhecimento de nossa rigidez são atitudes inteligentíssimas para retirar nosso engessamento mental.
4º - EU AUTOSSABOTADOR (ou EU auto-destruidor) => O EU autossabotador não gere o processo de construção de pensamentos para promover estabilidade e profundidade emocional. Por incrível que pareça, esse tipo de EU vai contra a liberdade, conspira contra seu prazer de viver, sua tranquilidade e seu êxito profissional e social. Pessoas com EU autossabotador são carrascos de
si mesmas. Um EU com essas características precisa desesperadamente aprender a ter um caso de amor com suas qualidades.
Milhares de mulheres com sobrepeso têm um EU autossabotador. Elas fazemregime, lutam para emagrecer e, depois de muito esforço, obtêm êxito. Entretanto, não mantêm o peso nem se jubilam com sua vitória, pois o fenômeno do autofluxo se ancora em janelas killer, o que produz autopunição, e o EU frágil submete-se a essas zonas traumáticas e, consequentemente, não admite se sentir bem, feliz e ser elogiado. O êxito as deixa tensas. Elas começam a sabotar seu regime, passam
a comer compulsivamente. Parece que só se sentem vivas se estão se punindo.
Frequentemente, desistem dos seus sonhos no meio do caminho. O EU autossabotador não sabe dar um choque de gestão no autofluxo, que, além da autopunição, carrega fobias, obsessão, dependência, ciúme, inveja, raiva, autoflagelo.
Uma pessoa autossabotadora da sua saúde emocional vive se aterrorizando, se atormentando com fatos que ainda não aconteceram ou gravitando na órbita dos problemas que já passaram, lamentando perdas, fracassos, injustiças. Um EU que sabota a própria felicidade pode ser ótimo para com os outros, mas é péssimo para si. Pode ser tolerante com seus íntimos e amigos, mas implacável consigo mesmo. Pode dar chances para os outros quando erram, mas raramente se
dá uma nova chance.
Um dos mais graves defeitos da personalidade de um EU autossabotador é a autocobrança. Como, infelizmente, grande parte das pessoas tem essa característica doentia, vou reiterar o que já disse. Quem cobra demais de si retira o oxigênio da própria liberdade, asfixia sua criatividade e, o que é pior, estimula o registro automático da memória a produzir janelas killer toda vez que falha,
tropeça, claudica ou não corresponde a suas altíssimas expectativas.
Um importante alerta: uma das mais graves consequências de quem cobra excessivamente de si mesmo é aumentar os níveis de exigência, o que o impede de relaxar, sentir-se realizado, satisfeito, feliz. Quem faz muito do pouco é muito mais estável e saudável do que quem precisa de muito para sentir migalhas de prazer.
O EU autossabotador faz que muitos profissionais de sucesso tenham grave insucesso emocional. Eles sabotam suas férias, seus finais de semana, seus feriados, seu sono, seus sonhos.
5º - EU ACELERADO => Ao EU acelerado pertence o imenso grupo de pessoas em todo o mundo, em todas as sociedades modernas, de crianças a idosos, que se entulham de informações,atividades e preocupações. E, consequentemente, excitam o fenômeno do autofluxo a produzir pensamentos numa velocidade nunca vista, gerando, portanto, a Síndrome do Pensamento Acelerado.
A SPA (Síndrome do Pensamento Acelerado) tornou-se o mal do século, gerando péssima qualidade de vida, insatisfação crônica, retração da criatividade, doenças psicossomáticas, transtornos nas relações interpessoais e, em destaque, transtornos na relação do EU consigo mesmo.
Há indivíduos que mudam o tom de voz e reagem de maneira tão diferente da habitual que parece que duas ou mais pessoas vivem no mesmo cérebro. O que ocorre de fato é que, dependendo da plataforma em que o autofluxo se fixa, o EU se nutre de informações e experiências para produzir pensamentos e emoções e, desse modo, revelar características próprias da personalidade.
Algumas pessoas são serenas quando ancoradas em determinado núcleo de habitação; fora dele, tornam-se estúpidas. Há pessoas que são fortes e seguras numa determinada situação, mas, em outra, se intimidam como uma criança diante de uma fera. Se as plataformas forem qualitativamente muito diferentes umas das outras, as características também o serão.
6º - O EU PODE TER VÁRIAS POSTURAS DOENTIAS
Uma pessoa pode ter um EU acelerado e, para piorar sua saúde emocional, ter também um EU engessado, autossabotador ou desconectado com o meio ambiente. Ou seja, além de o sujeito ser inquieto, agitado, é também rígido, emocionalmente instável e, ao mesmo tempo, seu pior inimigo, carrasco de si mesmo, pessimista e mal-humorado.
Apesar de a postura do EU revelar níveis de criatividade, maturidade, resiliência, capacidade de se adaptar às mudanças, de proteger a psique e de superar conflitos, não podemos nos esquecer de que, em psiquiatria e psicologia, nada éimutável. O psiquismo humano pode passar por um processo de transformação, em especial se o EU se reciclar e se tornar um construtor de plataformas de janelas
light, enfim, um edificador de novos núcleos de habitação no córtex cerebral.
Uma das teses que defendo no livro A fascinante construção do EU é que, dentro da metáfora de uma cidade, um ser humano não precisa ter toda a cidade da memória perfeita, sem ruas esburacadas, esgotos a céu aberto e bairros traumatizados, para ter uma vida digna. Como numa cidade física, se você construir núcleos de habitação saudáveis, será possível ter uma vida aceitável e prazerosa. Se não fosse assim, o processo de formação da personalidade seria completamente injusto. Crianças que foram abusadas sexualmente, privadas de condições de vida mínimas, humilhadas socialmente, mutiladas em guerras e ataques terroristas não teriam a chance de
possuir uma mente livre e uma emoção saudável.
Nos computadores, somos 'deuses' porque registramos e deletamos o que queremos no momento que queremos; na memória humana, isso é impossível. Mas não significa que estamos condenados a conviver com nossas mazelas psíquicas. Podemos alicerçar todos os papéis do EU já listados e, consequentemente, reeditar a memória e apreender algumas ferramentas, como a técnica do DCD, a
mesa-redonda do EU, a proteção da emoção, a resiliência, para assumir o script da nossa história.
Todavia, jamais podemos nos esquecer de que em psiquiatria, psicologia, sociologia e ciências da educação não existem soluções mágicas. É necessária uma nova agenda para formar núcleos de habitação do EU. São necessários exercícios educacionais diários. Devemos nos lembrar sempre desta tese: se a sociedade nos abandona, a solidão é tratável, mas, se nós mesmos nos abandonamos, ela é quase incurável.
APROFUNDANDO O ASSUNTO...
Todavia, devemos também transcender a ótica do Doutor e ampliar nossa visão. Com base nos ensinos de Aryeh Kaplan (de abençoada memória), sábio que viveu até 1983 conosco, levanta a seguinte questão:
Vamos pensar sobre você mesmo? O que é você, realmente? Quem é o seu “EU” VERDADEIRO?
Antes de examinarmos esses questões produndas e abstratas, vamos dar uma olhada nos aspectos concretos e evidentes de uma pessoa. Por exemplo, vamos abordar questões da observação mais simples até uma mais complexa. Olhe para sua mão. Ela abre e fecha; obedece a todas as suas ordens que a sua mente lhe envia. É sua – faz parte de você.
Mas o que é você?
O que acontece quando você ordena à sua mão que fique aberta ou fechada?
De que modo a sua mente quer que a sua mão se abra?
Quem está dizendo a sua mão que ela deve fechar-se?
Agora, vamos considerar a pessoa completa. Aponte para você mesmo. Se você for como a maioria das pessoas, você apontará o dedo para seu peito, para o seu coração, para o seu corpo.
Mas, o seu corpo é você realmente?
Não muito tempo atrás, uma pessoa podia considerar o seu corpo como parte integrante de si mesma. Você era seu corpo e seu corpo era você. Agora já não mais é assim.
O progresso cientifico mudou todo o conceito da identidade humana.
Essa nova era nasceu no final da década de 60, quando um mundo esperançoso e espantado testemunhou a luta dramática de um homem pela vida. O Dr. Philip Blaiberg viveu durante um ano e meio com o coração de outra pessoa batendo dentro do peito.
Se eu tivesse pedido ao Dr. Philip Blaiberg que apontasse para si mesmo, ele teria apontado para o seu peito? Esse coração, transplantado de outro ser humano, era realmente parte dele?
Em certa ocasião, o Dr. Blaiberd descreveu as suas emoções ao ver o seu próprio coração, isto é, o seu coração original, suspenso num vaso com formaldeído. Como se sente um homem segurando o seu próprio coração nas mãos? Qual era o coração do Dr. Blaiberg realmente? Agora, pergunte-se, o coração que bate dentro de você, o que você tinha apontado com o dedo, é o seu “EU” real? Ou você é algo completamente diferente?
Em 1969, a ideia de transplantar um coração humano, vivo e pulsante, em outra pessoa, parecia um milagre. Hoje em dia, já é quase lugar-comum. Na atualidade, os avanços da ciência são mais radicais ainda. Na atualidade, os avanços da ciência são mais radicais ainda. Os pesquisadores preveem coisas que nos forçarão a mudar completamente nossa maneira de pensar.
Uma das coisas que os pesquisadores estão prevendo, talvez para dentro da próxima década (ou século) ou a seguinte, é um transplante de cérebro. Um cérebro vivo poderia ser extraído de um corpo humano e colocado em outro. Um feito dessa magnitude mos forçaria a enfrentar esta pergunta:
Afinal, o que é a personalidade humana (que chamam de “EU”)?
Imagine-se tendo uma doença incurável no corpo, mas com o cérebro saudável. Os médicos acham um doador para você – uma pessoa que sofreu um dano cerebral irreparável, cujo cérebro parou de funcionar, mas cujo corpo está ainda saudável. Você recebe anestesia. O seu cérebro é removido do seu corpo atual – um corpo doente demais para continuar vivendo – e colocado neste novo corpo, com boa saúde.
Agora, imagine que você esteja acordando. Você ainda tem o seu cérebro antigo, com todas as suas lembranças. Toda a sua personalidade permaneceu intacta, com todos os seus padrões de comportamento; seus padrões padrões originais de pensamento ainda estão funcionando. Só que, agora, você tem um corpo novinho em folha; novas mãos, novos pés, novos olhos, novas orelhas e um coração novo. O seu corpo corpo original estava velho e enfermo, desintegrando-se, mas agora você tem um corpo novo, jovem, saudável e cheio de energia.
Neste ponto, se eu lhe pedisse que apontasse para você mesmo, você apontaria para o seu coração, o seu corpo? Lembre-se, você conserva o seu cérebro de sempre, os seus pensamentos da vida inteira, as suas lembranças mais antigas, só que dentro de um corpo novo.
Neste exemplo de possibilidade, quem é o você real? É aquele corpo velho, deitado sem vida sobre uma mesa? Ou seria este novo, este corpo que agora você pode controlar com os seus pensamentos? Este é o seu corpo, ou não?
Talvez o verdadeiro “EU” de você esteja no seu cérebro. À MEDIDA QUE O NOSSO CONHECIMENTO VAI PROGREDINDO, AS PERGUNTAS TORNAM-SE CADA VEZ MAIS COMPLEXAS, E PRECISAMOS PROCURAR RESPOSTAS CADA VEZ MAIS LONGE.
Vivemos na era da informática. Os avanços tecnológicos são excessivamente rápidos para serem seguidos pelos leigos. Cada geração de computadores é mais sofisticada que a anterior – os supercomputadores superam os seus antecessores em milhares de vezes. Cada geração é mais complexa, rápida e literalmente mais inteligente. A maior parte da tecnologia avançada dos computadores é desenvolvida mediante a ciência da computação. Esta ciência traça comparações entre os computadores avançados e o cérebro humano (os supercomputadores ainda não são capazes de imitar ou superar a mente humana, mesmo com tantas pesquisas realizadas => [http://www.tecmundo.com.br/…/39375-computacao-neuromorfica-…]).
Sob muitos aspectos, os computadores extremamente complexos comportam-se de modo muito similar ao cérebro humano e, em grande medida, o cérebro humano comporta-se como um computador extremamente complexo. Através da informática, os engenheiros utilizam o nosso conhecimento do cérebro humano para projetar computadores mais aperfeiçoados, e os psicólogos têm a sua disposição nosso conhecimento de informática para conseguir percepções mais acertadas dos mecanismos de funcionamento do cérebro humano.
Na tecnologia com computadores é possível programar uma transferencia de memoria, ouseja, toda a informação contida num computador pode ser transferida para outro. Isto se produz eletronicamente; tudo o que passa de um computador para o outro é informação, dados transportados por impulsos elétricos. Os peritos em informática fizeram especulações sobre se seria possível fazer o mesmo com o cérebro humano. Este conceito é um dos temas favoritos dos escritores de ficção científica. No entanto, muitos cientistas sérios acreditam que seria possível. E, mesmo que não seja possível na prática, Ee possível na teoria.
Vamos tentar prever uma transferencia de memória humana. Uma pessoa tem uma doença incurável; nem o seu corpo, nem o seu cérebro podem ser salvos. Criamos um novo corpo humano, incluindo o cérebro; um clone genético do original, em algum tipo de solução química nutriente. Hoje em dia, isto não é possível, mas os avanços da bioengenharia sugerem que se torne possível, daqui a dez, vinte ou cinquenta anos. Então, um novo corpo é criado – um corpo novo, com um cérebro em branco. O novo cérebro é capaz de funcionar, mas falta-lhe lembranças e configurações de pensamentos. Jamais foi usado antes. Agora, damos o passo final: executamos uma transferencia de memória, da pessoa doente para o novo cérebro alojado no corpo novo.
Agora, temos de lidar com um conceito fascinante. Se todas as lembranças de uma pessoa, padrões de pensamentos e traços de personalidade pudessem ser transferidos para um novo corpo e cérebro, essa pessoa passaria – literalmente – a existir no novo corpo, no novo cérebro, apesar de que nada físico tivesse sido mudado, mesmo que nenhuma das suas partes físicas tivesse sido transplantada para o novo corpo. Tudo o que foi transferido, tudo o que foi colocado no corpo novo é uma determinada quantidade de dados, informações que até agora existiam no cérebro antigo. Esta “informação” contém a soma total da personalidade desta pessoa.
Tudo isso é possível, PELO MENOS NA TEORIA. Agora, pergunte-se de novo:
Quem é o verdadeiro você nesta situação?
Não pode ser o seu corpo, nem sequer o seu cérebro. Somente pode ser a a “informação” contida no seu cérebro: as suas lembranças, a sua personalidade e os seus padrões de pensamento.
O que acontece, então, quando não se realiza nenhum transplante de cérebro nem transferencia de memória, e o corpo original de uma pessoa se deteriora e morre?
O que acontece com toda essa “informação”?
Depois que o cérebro fica inerte e o corpo apodrece, o que acontece com o “banco de dados” que, na nossa análise mais profunda, parece ser a pessoa real?
Quando um livro é queimado, o seu conteudo é destruido. Quando um computador é destruido, ou até mesmo desligado, a sua informação é apagada para sempre. Quando uma pessoa morre, acontece a mesma coisa?
A mente – a personalidade, os padrões de pensamento e as lembranças – são irrecuperáveis?
Sabemos que D-us (O Sagrado Bendito Seja) é onisciente. Ele sabe tudo e se lembra de tudo – cada pensamento, cada lembrança, cada traço de personalidade de cada ser humano. Ele está consciente de todas as coisas que existem dentro das nossas mentes.
Então, quando uma pessoa morre, D-us se esquece de tudo?
Não, com certeza que não!
Mesmo após a morte de uma pessoa, toda essa “informação” permanece e continua a existindo na memória de D-us.
Podemos imaginar algo que exista “na memória” somente como sendo estático – pedaços fixos de dados, fatos sem vida. Mas os pensamentos e a memória de D-us não são estáticos. De fato, a soma total de uma personalidade humana pode existir na memória de D-us, mas isto não é o mesmo que existir na memória humana.
Na memória de D-us, a personalidade humana ainda pode manter a sua identidade. Ela ainda pode manter a sua vontade e ela pode ficar ativa. É isto que denominamos de alma humana (nefesh). É isto que perdura, mesmo após a morte de uma pessoa.
Para nós, é muito dificil imaginar uma personalidade ativa, uma entidade viva, existindo dentro da memória de D-us (O Sagrado Criador, Mantenedor e Formador de Tudo que relativamente existe, Bendito Seja Ele). A totalidade do conceito da mente de D-us Ee muito difícil de compreender. Dizemos que uma alma está no Céu, ou no Paraíso (Uma forma figura de representar a Memória Superlativa, Dinâmica e Superior do Eterno D-us). Descrevemos a alma como se estivesse morando no 'Mundo Vindouro', no 'Mundo das Almas'. Dizemos que ela permanece no “laço da vida eterna”.
Os cabalistas descrevem a alma como uam Chelek Eloká Mimaal – um fragmento de D-us, do Céu. E as Escrituras Sagradas são bastante explícitas sobre o destino dessa alma:
“O pó volta para a terra como era, mas o espírito volta a D-us, que o deu.” (Cohélet [Elesiastes] 12:7). O significado é bastante literal. O corpo, inclusive o cérebro físico que, pelo menmos na teoria, pode ser descartado ou trocado, volta ao pó da terra, mas a personalidade, a alma, permanece viva na memória de D-us, no pensamento eterno de D-us (Hacadosh Baruch hu). Esta alma, que conservará a sua identidade para sempre, é a pessoa essencial. ESTE É O VERDADEIRO VOCÊ!
Bibliografia:
- Augusto Cury;
- Aryeh Kaplan – Encontros entre o Céu e a Terra – Editora Maayanot