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terça-feira, 1 de agosto de 2017

Tisha b'Av o Dia do Grande Lamento

Tisha b’Av, o 9º dia do mês judaico de Menachem Av, é o dia de luto nacional para o Povo Judeu. Através de sua história milenar, muitas tragédias ocorreram nessa data. 

No 9º dia de Av do ano de 423 A.E.C, os babilônios destruíram o Primeiro Templo de Jerusalém. No ano de 70 E.C., também em 
9 de Av, os romanos destruíram o Segundo Templo Sagrado.
Edição 88 - Junho de 2015

Em Tisha b’Av do ano de 133 E.C, a cidade judaica de Betar, local da batalha final entre Roma e Jerusalém, caiu em mãos dos romanos, que, na ocasião, assassinaram milhões de judeus, avançaram sobre o Monte do Templo, exilando nosso povo de nossa pátria.
Muitas gerações depois, no ano de 1290, em Tisha bAv, a Inglaterra expulsou todos os seus judeus. Em 1492, Isabel de Castela e seu esposo, Fernão de Aragão, ordenaram a expulsão de todos os judeus da Espanha. Assinaram o edito de expulsão em 31 de março de 1492, dando aos judeus exatamente quatro meses para abandonar o país. A data judaica da partida de nosso povo da Espanha foi 9 de Av.
Outro evento trágico de implicações de longo alcance ocorreu em Tisha b’Av do ano de 1914: a Alemanha declarou Guerra contra a Rússia, desencadeando, assim, a 1a Guerra Mundial. Muitos historiadores afirmam que a 2a Guerra Mundial foi a conclusão prolongada da  1a Guerra. Isso significa que o conflito mais sangrento da história da humanidade, o surgimento do Nazismo e o Holocausto não se iniciaram em 1939 – mas em 1914, no 9º dia de Av.
Tisha b’Av é uma data historicamente significativa  e de profundo simbolismo. Mencionamos apenas  alguns dos trágicos eventos ocorridos nessa data.  Há muitos outros. O intervalo entre uma tragédia e outra é, por vezes, curto; outras vezes, longo; mas a sua correlação é evidente.
O período entre a queda do Primeiro Templo Sagrado  e a construção do Segundo foi relativamente curto  – 70 anos. No entanto, durante esse breve espaço de tempo no qual os judeus viveram fora da Terra de Israel, eles tiveram uma amostra dos perigos de serem apátridas. Foi durante esse curto exílio que ocorreram os eventos que celebramos em Purim. Esse capítulo de nossa história teve um final feliz – com o enforcamento de Haman e de seus dez filhos. Mas deveria ter servido de lição para o Povo Judeu acerca dos perigos de viver no exílio, sem um país e sem um exército. Os judeus viveram no exílio por menos de um século após a queda do Primeiro Templo e quase pereceram na Solução Final arquitetada por Haman para nosso povo. Ele pereceu na forca, mas ressurgiu dois milênios mais tarde. Novamente, estávamos no exílio – sem uma pátria e sem um exército – quando a criatura mais maligna que já pisou na face da Terra subiu ao poder e empregou vastos recursos para conseguir o que Haman não conseguira realizar. Pouco após a 2ª Guerra Mundial, os historiadores estimaram que a Alemanha Nazista houvesse exterminado entre 5 e 6 milhões de judeus. Hoje, estima-se que esse número tenha chegado  perto de 7 milhões.
Quando realmente começou o Holocausto? Terá começado quando o povo alemão democraticamente elegeu Hitler e o Partido Nazista? Terá começado em Tisha b’Av de 1914? Pode-se argumentar que começou com a queda do Segundo Templo Sagrado de Jerusalém. Começou quando Roma venceu Israel. Começou quando os romanos nos exilaram de nossa Terra e, para humilhar ainda mais os judeus e cortar nossos laços com nossa Pátria Eterna, mudaram seu nome para “Palestina”, como a dizer que a Terra então pertencia ao inimigo histórico dos Filhos de Israel – os filisteus.
Se o Templo não tivesse caído, se tivéssemos vencido em Betar, se os romanos não nos tivessem exilado de nossa Pátria, se as nações que ocuparam a Terra de Israel não nos tivessem proibido de para lá retornar, a maior parte das tragédias que se abateram sobre os judeus teriam sido evitadas. As expulsões não teriam ocorrido, nem tampouco as Inquisições ou o Livro Branco do Mandato Britânico, a ocupação da Terra de Israel e de Jerusalém por outras nações – que continuam sendo um problema para o Estado Judeu – e, sobretudo, o Holocausto.
Não tivessem caído os reinos de Israel e de Judá,  talvez tivéssemos que ter enfrentado muitos inimigos – como o Estado de Israel faz, hoje – mas, pelo menos, teríamos um país e um exército a nos defender.  Não teríamos perdido um número incontável de  judeus ao longo das gerações – milhões e milhões  deles – seja aniquilados, seja assimilados – perante o genocídio físico e espiritual. A gênese de dois mil anos de sofrimento é o dia de Tisha b’Av. No dia em que caiu o Templo de Jerusalém, iniciaram-se as nossas atribulações.
Tisha b’Av, portanto, é o ponto focal através do qual todos os problemas do Povo Judeu se concentram e são recordados. Esse dia celebra não apenas eventos ocorridos na própria data, mas episódios de luto, em geral, que se abateram sobre nosso povo, pois sua origem são os trágicos eventos ocorridos nessa data. O 9º dia de Av se tornou um dia de lembrança para as atribulações do Povo Judeu ao longo das gerações.
Em Tisha b’Av, como em Yom Kipur, jejuamos por mais de 24 horas. Muitos judeus vão à sinagoga para sentar-se no chão – como os enlutados – e recitar o Livro das Lamentações. É uma obrigação religiosa fazê-lo. O Talmud nos ensina que jejuar em Tisha b’Av é tão importante quanto em Yom Kipur; mas, será que este dia de jejum e recordação tem qualquer significado real para nós? Em Tisha b’Av, podemos jejuar e comportar-nos como enlutados e, ainda assim, permanecer emocional e espiritualmente desligados do tema do dia. Pois é inegável que quase todos os lutos – especialmente quando é um luto coletivo, não pessoal – tende a diminuir, com o tempo.
Quase 2 mil anos se passaram desde a queda do Templo Sagrado de Jerusalém. Hoje em dia, o pesar pela sua destruição somente é sentido entre aqueles que entendem as consequências de sua falta – e não apenas para o Povo Judeu, mas também para o mundo todo, sem distinção. Aqueles que realmente sentem a ausência do Templo – aqueles que entendem que muitas das desgraças do mundo se devem à sua queda – podem chorar a sua destruição em Tisha b’Av. Estes anseiam por sua restauração porque o Terceiro Templo Eterno e Sagrado de Jerusalém anunciará a tão esperada utopia pela qual a humanidade sempre esperou. Quando o Mashiachvier e erguer o Terceiro Templo, a humanidade finalmente conhecerá a verdadeira paz, e o sofrimento deste mundo – tanto individual quanto coletivo – cessará, por completo. No entanto, obviamente, é difícil despertar em nós mesmos tais sentimentos. Estes requerem um extraordinário refinamento espiritual. Quantos judeus realmente derramam lágrimas em Tisha b’Av porque o Templo Sagrado foi destruído nessa data?
Contudo, Tisha b’Av continua a ser muito relevante em nossos dias. Em 9 de Av, não precisamos encontrar em nosso íntimo a capacidade de chorar por eventos que ocorreram há dois milênios. Devemos, sim, derramar lágrimas por eventos ocorridos há menos de um século, praticamente em nosso tempo.
Recordando o Holocausto
O Holocausto é incomparável a qualquer tragédia na história, pois foi o extermínio monstruoso, sádico e sistemático de um povo. Nele, os judeus não tombaram em batalha nem morreram vítima de uma praga terrível. Sofreram praticamente todas as formas de tortura e violência – física, psicológica, emocional e espiritual. Como declarou Emil Fackenheim – renomado filósofo judeu alemão –, o Holocausto foi a maldade pela maldade. Os romanos foram cruéis e sanguinários – eles, também, assassinaram milhões de judeus – mas a maioria deles não praticou a maldade pela maldade.  Eles matavam para conquistar; os nazistas matavam para matar. Os romanos lutaram para conquistar os judeus, ao passo que os nazistas queriam exterminar todos nós. O que é particularmente revoltante sobre o Holocausto não é apenas o fato de ter sido cruel e covarde e sádico – as ações dos serial killers mais eficazes e sádicos da história – mas o fato de ter sido completamente sem motivo, político ou militar. Diferentemente dos franceses, o Povo Judeu não venceu a Alemanha nem lhe impôs o Tratado de Versalhes. Diferentemente dos ingleses, não governávamos um império. Diferentemente dos soviéticos, não tínhamos tendências imperialistas. Éramos um povo desarmado e indefeso que vivia no exílio há quase 2 mil anos. Não possuíamos estado nem exército próprio. Não ameaçávamos nem prejudicávamos ninguém. A maioria dos judeus, particularmente aqueles que viviam na Europa Oriental, eram extremamente pobres e religiosos. Viviam para constituir família, preservar o Povo Judeu, estudar a Torá e cumprir seus mandamentos. Sonhavam não em conquistar o mundo, como os ingleses, os soviéticos e os alemães, mas com a redenção – com uma era na qual os seres humanos desfrutariam de paz e prosperidade. Inesperadamente, mais de 2 mil anos após o fracasso do plano de Haman de extermínio de todo o Povo Judeu, um novo Haman, mais eficaz, se ergueu. O homem mais maligno que já existiu sobre a Terra – responsável pela morte de dezenas de milhões de pessoas – inclusive de milhões de seus compatriotas – decidiu que seu principal objetivo na vida era exterminar o Povo Judeu. Ele estava tão obcecado com a morte de todo judeu existente, que até desviou recursos para este fim durante a guerra. Para ele, o extermínio dos judeus era mais importante do que vencer a guerra e conquistar o mundo.
Apesar de negociarem e se sujeitarem a ele, e se aliarem e até lutarem contra ele, nenhum país prestou muita atenção ao que ele fazia aos judeus. Nunca fomos parte da equação... A Grã-Bretanha e a França entraram na guerra por causa da Polônia. Jamais teriam feito isso por causa dos judeus. Os nazistas exterminaram quase 7 milhões de judeus e, excetuando-se umas poucas almas nobres e valentes, o mundo não emitiu um som sequer de protesto.
O episódio mais escuro e cruel na História Judaica – um evento sem paralelo na História da Humanidade – clama por nós. O Holocausto nos ensinou que muito homens são maus e a maioria deles é indiferente. Portanto, nós, judeus, só podemos depender de nós mesmos. Devemos recordar-nos do Holocausto – e de suas lições extremamente dolorosas e importantes – sempre, e senão todos os dias do ano, pelo menos em um único dia.  Não há dia, no calendário judaico, que seja mais apropriado para prantear o Holocausto do que  Tisha b’Av – o dia de luto nacional, que, com todos  os seus costumes e em toda a sua essência, tornou-se  um dia de luto particular.
Em Tisha b’Av, seguimos o costume dos enlutados. Nesse dia, devemos prantear não apenas a queda do Templo Sagrado de Jerusalém, mas também os 7 milhões de judeus que os nazistas, imach shemam, que seus nomes sejam banidos, tiraram de nós.
Não basta recordar o Holocausto no Yom HaShoá ve HaGuevurá (Dia do Holocausto e da Bravura), porque o tema desse dia, como seu nome indica, é o heroísmo e a rebeldia judaicos diante do mal. Podemos celebrar os heróis judeus tombados no Yom HaShoá, como o fazemos no Yom Hazikaron, mas nosso povo necessita ao menos um dia para chorar. O Yom HaShoá é um dia para se contar histórias sobre o Holocausto e daí se tirar as lições adequadas. É o dia em que todos os judeus se erguem e prometem proteger esta e todas as gerações futuras de nosso povo. O Yom HaShoá não é um dia de lágrimas  – e nós precisamos chorar. E o dia para isso é Tisha b’Av.
O Talmud nos ensina que não transcorre um dia sem que o Todo Poderoso não chore pela destruição de Seu Templo e o exílio do Povo Judeu. Nós não precisamos prantear todos os dias, mas podemos e devemos fazê-lo ao menos um dia por ano, porque apesar do heroísmo e do martírio de nosso povo – apesar da Santificação do Nome de D’us, Kidush Hashem,de todos eles, que morreram por serem judeus, e a despeito de sua coragem, bravura e dignidade – foram mortos quase 7 milhões de judeus, incluindo 1,5 milhão de crianças. Muitos deles sofreram horrores indescritíveis – dia após dia, mês após mês, ano após ano. A maioria de nós nem pode imaginar o que eles passaram. Em Yom HaShoá é perfeitamente aceitável postar-se bravamente perante o mundo – para reafirmar a eternidade do Povo Judeu, com orgulho de ser parte de um povo que se reergueu das cinzas do Holocausto.
Em Tisha b’Av, no entanto, devemos transportar-nos  de volta no tempo e lembrar-nos de nossos irmãos  que tombaram. O Povo Judeu é uma alma coletiva  que se incarna em diferentes corpos. Isto significa que estivemos todos nos campos de concentração. Todos estivemos nas câmaras de gás. Sofremos o frio lancinante, a fome, os pelotões de fuzilamento, a tortura e as diabólicas experiências médicas. A dor permanece  na alma de todos os judeus, mesmo daqueles cujas famílias não pereceram nem sobreviveram ao Holocausto. Todo judeu necessita chorar pela parte de nossa alma coletiva que foi roubada pelo mal encarnado. Em Tisha b’Av, se um judeu não consegue chorar pela queda do Templo, ele deve ao menos fazê-lo pelos  7 milhões de seus irmãos. 
Se alguém lhe perguntar: “Para que chorar, afinal?  Por que não enterrar o passado e celebrar o presente? ”,  a resposta é que recordando o Holocausto em Tisha b’Av, podemos abrir o coração de muitos judeus, especialmente dos mais jovens, ao estudo da História Judaica, para que possam melhor entender quem são, de onde vieram e o que os últimos 2 mil anos de nossa História têm a lhes ensinar. Isso instilaria neles um maior apreço pelo Estado de Israel: o que representa e qual a sua importância suprema. Recordar o Holocausto em Tisha bAv ensinaria às gerações mais jovens que a História, particularmente a judaica, é uma cadeia de eventos – e o que fazemos hoje afeta as gerações futuras. Finalmente, recordar o Holocausto no 9º dia de Av nos faria lembrar que o Holocausto não se iniciou quando um homem diabólico subiu ao poder na Alemanha, mas, sim, quando outras nações conquistaram a nossa Pátria, de lá nos expulsando. Se há uma lição que nenhum judeu pode esquecer, é esta aqui: enquanto estávamos no exílio, sem nossa terra, estávamos ameaçados de cair em mãos dos Hamans que surgem de tempos em tempos. Portanto, a principal tarefa do Povo Judeu tem que ser assegurar que a Pátria Judaica jamais seja vencida. Não podemos arriscar sua segurança de maneira alguma. Devemos pagar qualquer preço, fazer qualquer sacrifício e qualquer coisa em nosso poder, física e espiritualmente, para garantir sua segurança e existência eterna.
Há uma razão adicional para que nos lembremos do Holocausto em Tisha b’Av. Os lampejos e vislumbres  da redenção inerentes à data – há uma tradição que  diz que Tisha b’Av é a data da Redenção Messiânica – dão-nos a esperança de que talvez um dia possamos superar o sofrimento causado pelo Holocausto. 
Nossos Sábios ensinam que quando vier a Era Messiânica, Tisha b’Av, o dia da redenção, será o dia mais feliz do nosso calendário. Talvez seja porque com o advento da Era Messiânica haja tanta alegria no mundo que todas as tragédias passadas sejam esquecidas. Talvez, quando todos os mortos ressuscitem, não choremos mais por aqueles que sofreram e morreram – porque eles estarão reunidos conosco, outra vez. Talvez, na Era Messiânica, D’us responda todas as nossas perguntas, inclusive aquelas sobre o Holocausto. Até esse dia, no entanto, temos que recordar, temos que prantear, e temos que tirar as conclusões e lições necessárias.
Em Tisha b’Av, todos os judeus devem jejuar e ir à sinagoga para rezar e chorar – se não pela ausência do Templo, então pelo Holocausto e pelas outras tragédias na História Judaica. Todo judeu deve jejuar e se enlutar em Tisha b’Av – se não for por D’us, então que seja por nosso povo. Pode ser que não muitos de nós pranteemos em Tisha b’Av o exílio da Shechiná, a queda de Jerusalém e a destruição da Morada Divina na Terra, mas todo judeu pode e deve chorar pelos que tombaram, cujo grito continuará a reverberar até a vinda do Mashiach. Se nos juntarmos a seus gritos – se gritarmos do fundo de nosso coração – talvez nossas vozes subam aos Céus e D’us “ouça” e “se recorde”, e finalmente traga a redenção não apenas ao Povo Judeu, mas a todos os seres bons e decentes que anseiam por um mundo melhor.
Em Tisha b’Av, prantearemos e oraremos pelo cumprimento do que o Rei David, o homem que fundou a Cidade de Jerusalém, escreveu em um de seu famosos Salmos: que quando D’us levar todo o nosso povo de volta à Terra de Israel, nossa boca estará cheia de risos e nossa língua exultará. “Os que ora semeiam em lágrimas”, ensinou o Rei David, “hão de chegar à colheita com alegria. Os que a chorar vêm trazendo as sementes, em júbilo retornarão, carregando os frutos da colheita, tão esperada”. (Salmo:126)
 Amen, ken yehi ratson.
BIBLIOGRAFIA 
Rabi Steinsaltz, Adin (Even Israel), Change & Renewal: The Essence of the Jewish Holidays & Days of Remembrance, Maggid Publisher
Fonte: Site Morasha

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

As Luzes de Chanucá

Luzes
Aproximadamente há 2.100 anos, a Terra de Israel estava ocupada pelo império sírio-grego, governado por Antioco. Homem do mal, ele emitiu uma série de decretos com o propósito de forçar o Povo Judeu a abandonar o judaísmo e a adotar a ideologia e os rituais helenistas. Dentre seus esforços para extirpar o judaísmo, ele declarou ilegal o estudo da Torá e o cumprimento de vários de seus principais mandamentos. Ademais, os sírio-gregos profanaram o Tempo Sagrado de Jerusalém com seus ídolos.

Em resposta à opressão e aos decretos nefastos de Antioco, e percebendo que o futuro do judaísmo estava em jogo, um número pequeno de judeus, os Macabeus, em gritante inferioridade numérica, ergueram contra as forças de ocupação sírio-gregas na Terra de Israel. Ainda que fossem minoria – e de terem o apoio de apenas 10% da população judaica, que já estava se helenizando – os Macabeus derrotaram o poderoso exército sírio-grego, expulsando-os de nossa terra.

Quando reconquistaram o Templo Sagrado, em 25 do mês hebraico de Kislev, foram acender a Menorá do Templo – o candelabro de sete braços –, mas se depararam com o azeite de oliva ritualmente puro propositalmente contaminado pelos sírio-gregos. Encontraram, no entanto, um único frasco que havia escapado aos invasores. Continha apenas o azeite suficiente para acender a Menorá durante um único dia – e levaria oito dias para produzir azeite ritualmente puro.

Os Macabeus acenderam a Menorá com aquele pouquinho que, milagrosamente, durou oito dias – o tempo suficiente para a produção de novo azeite ritualmente puro. Para divulgar e celebrar esses milagres – o da vitória e o do azeite – nossos Sábios estabeleceram a festividade de oito dias de Chanucá.

O principal mandamento de Chanucá é o acendimento da Chanuquiá – uma Menorá de oito braços. Este ano, começamos a acendê-la no sábado à noite, após o término do Shabat, na noite de 24 de dezembro de 2016.

A Chanuquiá


Os elementos básicos de uma Chanuquiá são oito suportes para azeite ou velas. Adicionalmente, deve haver outro suporte para o Shamash – a vela “auxiliar”. Muitos têm o costume de usar velas de cera de abelha para o Shamash. Este fica um pouco acima ou abaixo do que as demais velas ou suportes para o azeite: é importante distingui-lo dos demais, senão poderia parecer que a Chanuquiá tivesse nove braços.

Uma vez acesas as velas de Chanucá, não se deve apagar o Shamash. São duas as razões para tal. Primeiro, o Shamash deve estar pronto para servir, fazendo jus a seu nome: no caso de uma vela ou pavio se apagar, pode ser aceso novamente com o “auxiliar”. Outra razão para deixarmos o Shamash aceso é a proibição de usar as luzes de Chanucá para qualquer outro propósito além de cumprir o mandamento de acender a Chanuquiá. Assim sendo, se alguém necessita de uma fonte de luz, por alguma razão, pode usar o Shamash, mas não uma das luzes da Chanuquiá.

Estas podem ser alimentadas por azeite ou pelas chamas de velas. Mas como o milagre de Chanucá envolveu o azeite de oliva – o suprimento de azeite para um dia que durou oito dias – é preferível acender a Chanuquiá com azeite em vez de velas. Deve-se dar preferência ao azeite de oliva como combustível e ao pavio de algodão porque estes produzem uma chama bem perfeita.
É importante notar que não se devem usar Chanuquiot elétricas. Elas podem ser colocadas em locais públicos para divulgar os milagres de Chanucá – mas não para cumprir o mandamento. Para isso, devemos acender as luzes da Chanuquiá com chamas reais, produzidas pela cera ou o azeite – como as chamas da Menorá do Templo Sagrado de Jerusalém.

O acender das luzes de Chanucá é um mandamento que cabe tanto a homens quanto a mulheres.
Algumas comunidades têm o costume de que o chefe da casa acenda a Chanuquiá enquanto todos os demais ouvem com atenção as bênçãos e respondem “Amén”. Em outras comunidades, todos os integrantes da casa, inclusive as crianças, acendem sua própria Chanuquiá. Qualquer que seja o costume, é importante que todos os judeus, de todas as idades, estejam presentes e envolvidos quando o mandamento de acender as luzes de Chanucá é cumprido.

Há, também, diferentes tradições sobre o local do lar em que se coloca a Chanuquiá. Alguns a colocam em uma entrada central, em uma cadeira ou uma mesa pequena perto do vão da porta onde está a Mezuzá. Dessa forma, quando as pessoas passam pelo vão da porta, estão rodeados por dois mandamentos – a Mezuzá de um lado e a Chanuquiá de outro. Outra opção é colocá-la no peitoral de uma janela de frente para a rua. Essa opção é preferível se as luzes de Chanucá puderem ser vistas pelo público passante.
As luzes de Chanucá são acesas noite após noite nesta festividade de oito dias. Acendemos uma luz na primeira noite, duas na segunda e assim por diante. Na oitava e última noite, acendemos todas as oito luzes.

Há diferentes costumes também acerca do horário exato para o acendimento. A maioria das comunidades o faz ao cair da noite – cerca de meia hora após o pôr-do-sol. Outras o fazem logo após o pôr-do-sol. Em qualquer dos casos, as luzes de Chanucá devem arder durante um mínimo de 30 minutos após o cair da noite. Qualquer que seja o costume seguido, na noite de 6a feira, todas as comunidades acendem as velas de Chanucá antes do sol se pôr e, no sábado à noite, após o cair da noite, pois é proibido acender fogo durante o Shabat. Portanto, ao entardecer da 6a feira acendemos a Chanuquiá logo antes de acender as velas do Shabat. Estas últimas tradicionalmente são acesas 18 minutos antes do sol se pôr.

Na 6ª feira, devemos usar azeite suficiente ou velas suficientemente grandes para que as luzes de Chanucá fiquem acesas durante meia hora após o cair da noite – cerca de 1 ½ horas após a entrada do Shabat. Uma vez iniciado o Shabat, não podemos reacender chamas apagadas nem mover de lugar a Chanuquiá; tampouco preparar as velas para serem acesas sábado à noite. Isso somente poderá ser feito ao término do Shabat. Sábado à noite, as luzes de Chanucá são acesas após a realização da Havdalá.

Deve-se acender a Chanuquiá tão logo seja permitido, porque maior mérito tem aquele que se apressa em cumprir os mandamentos Divinos. Portanto, somente se deve postergar o acendimento das luzes enquanto se espera pela chegada dos familiares que desejam estar presentes nesse momento tão importante. Se alguém perdeu o horário adequado do acendimento da Chanuquiá – por exemplo, por ter chegado muito tarde em casa – essa pessoa pode cumprir o mandamento desde que ainda haja gente na rua ou se outro membro da família estiver acordado para acompanhá-lo. Caso as ruas estiverem vazias e ninguém estiver acordado, ele poderá acender as velas, mas sem dizer as bênçãos que são recitadas antes de cumprir esse mandamento.

Após acender a Chanuquiá, é costume cantar canções tradicionais da festividade, como HaNerot Halalu e Maoz Tsur, devendo-se ficar em volta do candelabro durante meia hora, pelo menos. Uma das razões para tal é para assegurar que as luzes ardam, no mínimo, pelo tempo de meia hora. Às 6as feiras, quando as pessoas se preparam para ir à sinagoga ou para receber o Shabat, não é necessário sentar-se 30 minutos ao redor das luzes da Chanuquiá. Há uma tradição de que as mulheres não devem realizar tarefas domésticas enquanto a Chanuquiá estiver acesa. Desta forma, estão honrando as corajosas mulheres judias que ajudaram a assegurar a vitória militar dos Macabeus.

Em Chanucá, é tradição comer alimentos ricos em azeite, como os deliciosos sufganiot (sonhos) e os latkes (panquecas de batata fritas), celebrando também dessa forma o milagre do azeite.
Vimos um resumo das leis de Chanucá. Como dissemos, diferentes comunidades guardam diferentes tradições. Para maiores informações ou em caso de dúvidas, deve-se consultar com um rabino ou uma autoridade competente em Halachá, a Lei Judaica.

Celebrando o milagre


O mandamento fundamental de Chanucá é o acendimento das velas, ou, o que é ainda melhor, do azeite de oliva. Esse mandamento recorda os dois milagres que celebramos durante essa festividade. O primeiro foi o triunfo dos Macabeus sobre os sírio-gregos – superpotência militar à época, que ocupava a Terra de Israel. A revolta dos Macabeus foi uma resposta às atrocidades cometidas contra o Povo Judeu pelo exército sírio-grego e por sua campanha para coagir nosso povo a renunciar ao judaísmo e a se assimilar e abraçar as crenças helenísticas, seus ideais e sua cultura.

O segundo milagre foi o do azeite. O acendimento da Menorá com azeite de oliva ritualmente puro era um componente importante do serviço diário no Beit HaMikdash – o Templo Sagrado de Jerusalém. Após libertá-lo das mãos do exército invasor, os Macabeus encontraram um único frasco de óleo ritualmente puro, que escapara à profanação proposital pelos sírio-gregos. O frasco continha o azeite suficiente para acender a Menorá durante um único dia. Seriam necessários oito dias para produzir azeite ritualmente puro. Os judeus foram em frente e acenderam a Menorá com o que tinham. Mas uma ocorrência sobrenatural mudou o jogo: o azeite milagrosamente durou o tempo necessário para a produção de novo azeite ritualmente puro.

O fenômeno sobrenatural do suprimento de um dia ter queimado durante oito dias não foi apenas um milagre, mas também um sinal Divino de que os Macabeus deviam sua vitória militar à Providência Divina. Haviam lutado brava e valentemente, mas não fosse pela Mão Divina, eles não teriam triunfado. Eram um grupo pequeno de homens que se levantaram contra os gigantes militares da época. Tivesse tudo corrido de acordo com as leis da natureza, teria sido uma derrota fragorosa: as possibilidades de terem vencido eram tão remotas quanto o suprimento de um dia de azeite ter durado oito dias – praticamente impossível, não fosse a Ajuda Divina.

A festa de Chanucá, de oito dias, celebra milagres porque tudo nessa festividade é milagroso: a vitória militar, o fato de que os sírio-gregos tenham, de uma forma ou de outra, deixado passar um recipiente de azeite ritualmente puro e o fenômeno sobrenatural de que essa quantidade de azeite tivesse ardido oito dias – exatamente o número de dias necessários para a produção de novo azeite ritualmente puro.

Entre todas as festividades de nosso calendário, talvez Chanucá seja a mais conhecida e apreciada pelos não judeus. A Chanuquiá em locais públicos é acesa por muitos governantes e líderes políticos, inclusive aqui no Brasil. É acesa na Casa Branca e até no Kremlin.

O motivo para isso é que a mensagem de Chanucá é atemporal e universal – aplica-se a todos os seres humanos, independentemente de religião, nacionalidade e etnia. Os temas da festa ressoam no coração de todas as pessoas boas e decentes e a Festa das Luzes nos ensina que os milagres acontecem. Chanucá nos faz recordar, ano após ano, que, cedo ou tarde, a luz impera sobre a escuridão e, no fim, a bondade acaba triunfando sobre a maldade.

Que este mês de vitória conta a helenização greco-romana seja triunfal e as Luzes da Presença Divina esteja no lar de todos os adoradores sinceros do Eterno, Bendito Seja!

Fonte: morasha.com.br

domingo, 14 de agosto de 2016

O dia de Tish'á Beav



A menção do mês de Av nos faz automaticamente ligar com o trágico acontecimento que nele ocorreu - o dia de Tish'á Beav, onde, entre outras desgraças, os dois Templos Sagrados foram destruídos. Após o difícil período das três semanas, em que mantemos costumes de luto, começa o período de consolo, em que D'us volta-se a nós, após termos retornado a Ele.

 No dia quinze de Av - Tu Beav, o contraste torna-se mais aparente. Este é um dia de alegria, em que vários acontecimentos positivos aconteceram ao longo da história. Todos eles, marcam o término de algum fato negativo que estava ocorrendo em nosso povo. A demonstração de que D'us não mais estava irado conosco. Já pagamos pelos nossos atos. Nosso Pai nos espera agora de braços abertos. Está na hora de voltar... Uma pesquisa no Código da Lei Judaica não revela observâncias ou costumes para esta data, exceto pela instrução que, a partir de quinze de Av, deve-se aumentar o estudo de Torá, pois nesta época do ano as noites começam a alongar-se, e "a noite foi criada para o estudo." E o Talmud nos diz que, muitos anos atrás, as "filhas de Jerusalém iam dançar nos vinhedos" em quinze de Av, e "quem não tivesse uma esposa podia ir até lá" para encontrar uma noiva. E este é o dia que o Talmud considera a maior festa do ano, bem perto de Yom Kipur!

 Vamos explicar aqui um pouco sobre cada fato que ocorreu nesta data. Esperamos que, se D'us Quiser, neste ano seja somada a lista a união total entre nosso povo e Hashem, com a vida de Mashiach, que tanto ansiamos e necessitamos. 

1 - O dia em que acabaram-se os mortos do deserto Após o pecado dos espiões, em que o povo, guiado por seus líderes, não confiou nas palavras de D'us e não quis entrar na Terra de Israel, esta geração foi condenada a uma jornada de quarenta anos no deserto, até que todos acabassem falecendo, e então a geração mais nova ingressaria na Terra. Como o pecado ocorreu em Tish'á Beav, as mortes também ocorriam nesta data. Neste dia, todas as pessoas cavavam covas para si mesmas, e dormiam dentro delas. No dia seguinte, os que estavam vivos levantavam-se, e eram sempre quinze mil o número daqueles que pereciam. No último Tish'á Beav antes da entrada na Terra de Israel, todos os que haviam deitado dentro de suas covas, levantaram-se no dia seguinte. A princípio, pensaram que tivesse havido algum engano na contagem dos dias, e por este motivo, continuaram a dormir nas covas nos dias que se seguiram e continuaram vivos, até que no dia 15 viram a lua cheia, e tiveram certeza que o dia de Tish'á Beav havia passado sem que ninguém falecesse.

 2 - Casamentos entre as tribos e entre o povo e a tribo de Binyamin foram permitidos Desde a entrada na Terra de Israel, até o acontecimento de "Pileguesh Baguiva" (em que a tribo de Binyamin foi penalizada por seu comportamento incorreto), havia dois tipos de casamentos que foram proibidos: a - Casamentos entre as tribos: esta proibição foi transmitida por Moshê. Uma filha que tivesse herdado um terreno de seu pai, não poderia casar-se com um homem pertencente a outra tribo, pois desta forma, o terreno passaria a pertencer também a seu marido, prejudicando a tribo da qual ela provinha que perderia o direito sobre as terras. (Os primeiros quatorze anos na Terra de Israel foram dedicados à conquista e distribuição das terras entre as tribos.) b - Casamentos entre qualquer tribo e a tribo de Binyamin: Após o acontecimento de Pileguesh Baguiva, o povo fez a seguinte promessa: "Nenhum de nós dará sua filha a Binyamin por esposa." Após anos, os Sábios analisaram estas proibições e, sob inspiração Divina, chegaram a conclusão que os casamentos eram proibidos apenas por um certo período. Os casamentos entre as tribos foram proibidos por quatorze anos, tempo marcado pela ausência de uma demarcação fixa de terra que seria mais tarde destinada a cada tribo, o que naquela época impossibilitava as transferências de terra. Passado este período, a transferência das terras tornou-se viável. Os Sábios também provaram, que a promessa de não casar-se com a tribo de Binyamin era apenas para aquela geração, pois disseram: "Nenhum de nós" - e não "Nenhum de nosso filhos". As duas permissões foram dadas no mesmo dia: em Tu Beav. Por isso, este dia foi marcado por grande alegria e união entre nosso povo.

3 - O dia em que foi permitida a subida à Jerusalém

O perverso rei de Israel, Yerovam ben Nevat, havia retirado o trono real de Jerusalém, que D'us havia indicado como o centro do povo. Este postou dois bezerros de ouro, um em Dan e um em Bet El, para que o povo os idolatrasse. Contudo, muitas pessoas do povo continuaram subindo para Jerusalém, que sempre fora o centro espiritual do povo. Para impedi-los de ir a Jerusalém, Yerovam espalhou várias barreiras e guardas nos caminhos que as levavam até lá.
Estes obstáculos existiram até os últimos dias do reinado de Israel, quando o rei Hoshea ben Ela os anulou, e declarou: "Todo aquele que deseja subir a Jerusalém, que suba". Isto ocorreu no dia de Tu Beav, e foi motivo para grande alegria.
Apesar deste grande feito, o rei acabou sendo castigado. Antes dele, o povo também era idólatra, porém, a culpa recaiu sobre o rei, que não permitia que eles fossem a Jerusalém a procura de sua verdadeira espiritualidade. Hoshea permitiu que subissem a Jerusalém, dizendo "quem quiser - que vá". Porém, sua obrigação como rei era encorajar o povo a fazê-lo, coisa que nem ele mesmo fazia, por também não andar no bom caminho. Enquanto a culpa pertence ao indivíduo, D'us não castiga o povo. Porém, quando Hoshea anunciou a permissão, todo o povo foi culpado por não ter subido à Jerusalém, e por este motivo, acabaram sendo exilados.

4 - O dia em que terminavam de trazer lenha ao Templo

Após a reconstrução do Segundo Templo Sagrado, nos dias de Ezra e Nechemia, era grande a dificuldade de encontrar árvores para utilização da madeira na queima dos sacrifícios no altar, pois a terra encontrava-se devastada. Por isso, quando alguém doava lenha ao Templo, seu ato era meritório e muito festejado. Afinal, se não houvesse lenha não haveria possibilidade de oferecer sacrifícios, e o ofício do Templo teria que ser cancelado. Tão significativa era a importância deste ato, que os inimigos, desejosos de arruinar os serviços do Templo Sagrado, impediam as pessoas de chegar com lenha a Jerusalém.

O última dia do ano em que cortava-se lenha para o Templo era o dia quinze de Av. Após esta data, o calor do sol já não era tão intenso, e as madeiras, que não estavam tão secas, corriam o risco de serem infestadas por insetos, invalidando sua utilização no altar. Portanto, o último dia de verão, em que a mitsvá das lenhas era terminada, era festejado com grande alegria.

5 - Os mortos de Betar foram enterrados

Adriano, o perverso imperador romano, havia feito um genocídio na cidade de Betar, e para ter maior prazer com a derrota dos valentes sábios judeus, deixou seus corpos abandonados, jogados em um vinhedo. Após um certo tempo, ascendeu um novo rei que permitiu que estes corpos fossem finalmente enterrados. Todo o povo uniu-se para cuidar do enterro de seu irmãos. Isto ocorreu no dia de Tu Beav.

Nesta data, os Sábios acrescentaram a bênção de Hatov Vehametiv - o "Bom que faz o bem", no Bircat Hamazon. E explicaram: "O Bom" - pois os corpos não apodreceram enquanto não haviam sido enterrados. E "que faz o bem" - pois fez com que acabassem sendo enterrados.
Assim como nós abençoamos D'us pelos milagres que faz, devemos abençoa-lo por acontecimentos que não nos parecem tão positivos, e acreditar que tudo que vem Dele é para o bem.

Fonte: PT.CHABAD.ORG

segunda-feira, 7 de março de 2016

BÊNÇÃOS ANTERIORES AO ALIMENTO

 Antes de compartilhar qualquer alimento, é dita a Berachá Rishoná (bênção preliminar).

Há seis diferentes bênçãos, cada qual começando com as mesmas palavras: "Baruch Ata, A-donai, E-lo-hê-nu Melech Haolam..." (Bendito és Tu, o Eterno, nosso D-us, Rei do Universo...") e concluindo com as palavras relacionadas ao tipo de alimento que vai ser ingerido.

 Segue-se uma transliteração de cada bênção em hebraico, com exemplos dos alimentos que a requerem:

 1) - BARUCH ATÁ, A-DO-NAI, E-LOHÊ-NU MELECH HAOLAM, HAMOTSI LECHÊM MIN HAARÊTS. (Bendito és Tu, ó Senhor nosso D-us, Rei do Universo, que extrai pão da terra.)
Exemplos: pão, beiguels, Chalá, Matsá, pita e pães feitos de um dos seguintes cinco grãos: trigo, cevada, centeio, aveia ou espelta. Nota: muitos dos alimentos acima, especialmente Beiguels, pitas e pães doces, podem requerer uma bênção de Mezonot, dependendo dos ingredientes.

 2) - BARUCH ATÁ, A-DO-NAI, E-LOHÊ-NU MELECH HAOLAM, BORÊ MINE MEZONOT. (Bendito és Tu, ó Senhor nosso D-us Rei do Universo que cria varias espécieis de sustentos)
Exemplos: bolos, cereais, biscoitos, bolinhos, roscas e massas se feitos de um ou mais dos cinco grãos listados na primeira bênção.

 3) - BARUCH ATA, A-DO-NAI, E-LOHÊ-NU MELECH HAOLAM, BORÊ PERI HAGÁFEN. (Bendito és Tu, ó Senhor nosso D-us, Rei do Universo, que cria o fruto da vinha.)
Exemplos: vinho e suco de uva.

 4) - BARUCH ATÁ, A-DO-NAI, E-LOHÊ-NU MELECH HAOLAM, BORÊ PERI HAÊTS. (Bendito és Tu, ó Senhor nosso D-us, Rei do Universo, que cria o fruto da árvore.)
Exemplos: Todas as frutas de árvores permanentes, tais como maçãs, laranjas, pêssegos, etc., mesmo se essas frutas forem secas; também uvas, uva-passas e todas as nozes, com exceção de amendoim.

 5) - BARUCH ATÁ, A-DO-NAI, E-LOHÊ-NU MELECH HAOLAM, BORÊ PERI HAADAMÁ. (Bendito és Tu, ó Senhor nosso D-us, Rei do Universo, que cria o fruto da terra.)
Exemplos: Todos os leguminosos que crescem na terra, incluindo amendoim e algumas frutas, tais como banana, melão e abacaxi.

 6) - BARUCH ATA, A-DO-NAI, E-LOHÊ-NU MELECH HAOLAM, SHEHACÔL NIHYÁ BIDVARÔ. (Bendito és Tu, ó Senhor nosso D-us, Rei do Universo, que tudo vem a existir por Seu verbo.)
Exemplos: doces, laticínios, ovos, peixe, líquidos, carne, cogumelos e tudo o que não estiver incluído nas cinco bênçãos anteriores. Nota: as bênçãos acima se aplicam a alimentos em sua forma básica; entretanto, elas podem variar quando esta forma for modificada através de processamento ou quando os alimentos são combinados.

Baruch Hashem, Ha Kadosh Baruch Hu!

domingo, 13 de setembro de 2015

Shana Tova uMetuka - Bênçãos para um ano bom e doce Novo!



Nossos sábios nos ensinam que Rosh Hashana marca o sexto dia da criação, o dia em que adam harishon - o primeiro homem - foi criado. O lugar especial não era outro senão o que viria a ser conhecido como o Monte Moriá. Aprendemos também que foi neste mesmo lugar que Adam primeiro pecado e se arrependeu. 

Aqui, ele construiu um altar e apresentou uma oferta. Cerca de vinte gerações mais tarde, foi aqui que o anjo suspendeu a mão de Avraham na ligação de Yitzchak. Foi aqui que o carneiro apareceu, proporcionando Avraham com os meios através dos quais para expressar seu amor por D'us. 

Rosh Hashaná é o dia que nós reconhecemos a soberania de D'us o Rei, Criador do universo e Juiz de toda a humanidade. O dia em que "todos os seres passar diante dele como concurso ovelhas", a mensagem de Rosh Hashana é verdadeiramente universal: cabe toda a humanidade a aceitar a nós mesmos de D'us soberania, e ter em conta de nossos pensamentos e ações, tendo em vista este reconhecimento incrível. 

As trombetas e shofarot soaram antes da entrada para o Kodesh - Santuário - do Templo Sagrado em Rosh Hashana são lembretes de D'us domínio. O som do shofar - igualmente soprado nos degraus do Santuário, emana da própria respiração, a respiração que vem de dentro de nós, onde foi colocada, pela primeira vez, por D'us, em Adão, no sexto dia.

Shaná Tová 5776 e que o Beit Hamikdash seja reconstruído o quanto antes!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Nova Pagina de Estudos - Torah em Audio

Ouça a Torah, Neviim e Ketuvim (Tanakh) em hebraico original e sem versionamentos distorcidos por Roma e seus filhos:
 Torah em Audio